Balsa encalhada: seca do rio Amazonas compromete entrega sacos de cimento em Manaus
Publicado em 07 de de 2023 às 05:47 PM

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM) informou nesta quinta-feira (7) que as construtoras e empresários do ramo aguardam a chegada de cimento para o próximo dia 15 de dezembro. Segundo o presidente do Sinduscon-AM, o engenheiro civil Frank Souza, a falta do insumo resultou em obras paradas e aumento de até 30% nos preços do atacado.
“Tem chegado pouco (cimento) que não atende o mercado e o preço está mais caro. Para as construtoras é um aumento de 20% a 30%. E o mercado final dobrou: o que era R$ 60 virou R$ 120 hoje. As construtoras não conseguem pagar, porque têm limitações de orçamento. Tem empresa que compra cimento à granel. As cimentarias que a gente tem ligado não estão tendo cimento nem granel e nem em saco”, disse Souza.
O cimento que chega em Manaus é oriundo do nordeste e do sudeste do país, e o transporte é via fluvial. O presidente explicou que os insumos que irão chegar não serão suficientes para regularizar o mercado. “Qual o grande receio? Se esse preço vai voltar ao patamar que era antes: as construtoras compravam cimento a R$ 47, mas hoje sai por R$ 65 a unidade de 42 kg”, explicou.
Souza acredita que se a BR-319 já estivesse devidamente pavimentada a cidade não estaria enfrentando dificuldades logísticas para a chegada de matéria-prima. “Uma coisa a se ressaltar é a BR-319. É algo que o Sinduscon e outras entidades têm batido muito. Para chegar na Roraima precisa passar por aqui. Se tivesse a estrada, nós não estaríamos parados”, pontuou.
Valores para o mercado manauara chegam a ultrapassar os R$ 100 no saco de cimento, indicam dados de Sindicato (Foto: Junio Matos/A CRÍTICA)
Balsa encalhada
Uma balsa que transporta cerca de 120 mil sacos de cimento está encalhada em uma região próxima ao município de Itacoatiara (distante 176 quilômetros em linha reta de Manaus) devido à seca do rio Amazonas, com destino à capital. Os insumos pertencem à empresa AJA, e o sócio-administrador Thiago Albuquerque informou que a embarcação aguarda a subida dos rios para continuar a viagem em segurança.
Albuquerque explicou estar sem cimento na empresa e aguarda o carregamento em Manaus até antes do Natal, no dia 25 de dezembro.
“O preço só vai baixar quando os navios de grande porte começarem a navegar novamente pelos nossos rios. O que aumenta o valor do cimento é o preço do frete. O valor do transporte praticamente duplicou”, disse.
Nesta quinta-feira (7), o rio Negro está na cota de 14 metros e 97 centímetros. Thiago acredita que se as águas continuarem a subir nessa proporção dentro de 50 dias, os navios de grande porte voltarão a desembarcar em Manaus. Ele relatou que aos poucos tem chegado cimento nas empresas concorrentes, mas a carga ainda é insuficiente para o mercado.
A Marinha do Brasil informou por meio de nota que tomou conhecimento na manhã da última segunda-feira (4) do acidente ocorrido com o Navio Mercante Minerva Rita no Canal do Guajará, na região do Tabocal, localizado no rio Amazonas, próximo a Itacoatiara. Conforme a instituição militar, não há indícios de poluição dos rios com vazamento de óleo.
“O Capitão dos Portos da Amazônia Ocidental sobrevoou o local, a bordo de uma aeronave de serviço do 1° Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Noroeste (EsqdHU-91), para averiguar o ocorrido. Não há registro de desaparecidos, mortos ou feridos e nem indícios de poluição hídrica no local”, informou a Marinha.