Motorista de ônibus há 15 anos, David começa a jornada logo cedo, com um bom dia aos passageiros
Publicado em 24 de Outubro de 2023 às 04:32 PM

David Alex Batista
Idade: 44 anos
Profissão: Motorista Urbano
Vivem em Manaus desde: 1979 (nascimento)
Bairro onde mora: Cidade Nova
Bairro onde Trabalha: Lago Azul
Local preferido em Manaus: Ponta Negra
TERRA DAS OPORTUNIDADES
Apesar das dificuldades impostas por problemas inerentes a qualquer grande cidade, como o trânsito caótico ou até mesmo o clima extremo, os passageiros que pegam o ônibus da linha 329, no turno matutino, verão uma cena recorrente e para alguns até mesmo reconfortante: o sorriso de bom dia do motorista de ônibus David Batista, de 44 anos, há 15 na profissão.
Para além da boa convivência com seus passageiros que iniciam suas viagens diariamente rumo ao trabalho ou até mesmo para a escola e faculdade, David destaca que um sorriso no rosto e um desejo de bom dia é a melhor forma de se preparar para um longo percurso e pode até mesmo mudar o dia das pessoas para melhor.
“Acaba se tornando uma convivência sadia e daí surgem até novas amizades. Por meio do diálogo recorrente você passa a, de alguma forma, fazer parte da vida daquele trabalhador ou estudante, ao ponto de sentirmos falta quando um ou outro não aparece no horário e ponto de costume”, relata.
A linha que David dirige, pela empresa Líder, percorre Manaus passando por 13 bairros, entre eles João Paulo 2 até o Terminal 2, na Cachoeirinha. “Uma jornada dura”, afirma ele.
No entanto, sendo difícil ou não, é exatamente o fato de David ter uma jornada, proporcionada pelo emprego como motorista urbano, que ele destaca como sendo um grande diferencial de Manaus frente a outros locais do Brasil: as oportunidades.
“Aqui tudo vira uma possibilidade de trabalho, isso é bem visível para quem mora aqui e principalmente para quem vem de fora em busca de emprego e encontra alguma atividade para exercer aqui”, comentou, ao ressaltar que oportunidade não significa exatamente uma carreira, mas sim a facilidade de evitar o ócio do desemprego.
Para David Batista, o manauara consegue 'driblar' as mazelas e as transformar em oportunidade de renda (Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA)
“É claro que existem problemas inerentes a quem busca uma profissão ou um trabalho, seja formal ou informal e quem é daqui não se ilude com isso. O manauara consegue converter dificuldade em oportunidade. Diariamente percebemos isso nas ruas da cidade, quando em um dia de forte calor as pessoas decidem adquirir picolés, dindins ou água mineral para vender em semáforos aos condutores que por ali trafegam, ou em obras que vemos o tempo todo ao circular por Manaus”, exemplifica.
INÍCIO DA CARREIRA
David conta que iniciou na sua profissão na antiga União Cascavel, mas já chegou a fazer de tudo, sempre ligado ao volante.
“Iniciei como motorista e fiquei na empresa por três anos, foi um bom início, me preparou para atuar em outras frentes, como o período em que fique fazendo rotas para empresas do Distrito. Também tive experiência dirigindo caminhão de entrega no aeroporto de Manaus e, há cerca de cinco anos, retornei para o sistema coletivo urbano de Manaus. Como disse, as oportunidades aparecem, cabe a você pegá-las ou não”, destacou.
Após ‘largar’ - jargão popular que indica o fim da jornada diária de trabalho -, é hora de David enfrentar outra missão. Pela parte da tarde, ele atua como instrutor de direção em uma cooperativa em Manaus, ensinando as pessoas, manauaras ou não, a dirigir com segurança no trânsito, de certo modo contribuindo para diminuir um dos problemas que ele enfrenta todos os dias no já citado trânsito caótico das ruas da capital.
David Batista inicia cedo a rota do 329, passando por ao menos 13 bairros durante o percurso (Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA)
Manauara ‘desde a planta dos pés até o alto da cabeça’, como costuma dizer, David Batista tem na Ponta Negra, balneário público da cidade, um local preferido para descansar, principalmente nos fins de semana. “É a hora de descansar, passear, renovar as forças para uma nova jornada e perceber que tudo vale a pena. E lembrar, na medida do possível, que o dia seguinte, de volta ao trabalho, é além de necessário, algo bom”.