Logística da ZFM poderá acelerar com novo porto
Publicado em 01 de Fevereiro de 2024 às 05:49 PM

Previsto para ser inaugurado no terceiro trimestre deste ano, o Porto de Chancay, no Peru, será a nova porta da América Latina e tem potencial para alterar a entrada e saída de produtos do Polo Industrial de Manaus (PIM). O tempo de transporte de insumos de países da Ásia, via território peruano, segundo o superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa), Bosco Saraiva, pode ser reduzido em 18 dias.
O porto construído a 60 quilômetros de distância da cidade de Lima, capital do Peru, será o caminho mais próximo entre a América Latina e os países da Ásia e conta com investimentos da empresa chinesa Cosco Shipping, que detém uma participação de 60% da obra, e a Volcan do Peru, que detém 40%. Com o Amazonas a ligação pode ser facilitada por via fluvial pelo Rio Yurimaguas, tributário do Rio Solimões.
"A gente tem acesso a ele através de Quito pelo Rio Yurimaguas, que percorre e chega em Tabatinga. Os insumos da Ásia podem chegar em 18 dias a menos do que temos hoje [no Amazonas]. Do Peru para a Ásia, hoje, eles levam 40 dias, agora eles vão gastar 10 dias somente. Isso vai causar um impacto grandioso na questão da infraestrutura da mudança de rota”, disse o superintendente para A CRÍTICA.
Escoamento
Em setembro do ano passado, o secretário do Estado, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Serafim Corrêa, já havia citado a possibilidade da construção do porto inverter a lógica de escoamento da produção brasileira, não somente na indústria, mas especialmente no escoamento de grãos, da região Centro Oeste pela bacia amazônica rumo ao pacífico.
“Os grãos que estão saindo do Norte de Mato Grosso via Itacoatiara, em vez de descer o rio Amazonas, podem subir e sair pelo oceano Pacífico, que o ganho de deslocamento vai ser maior, logo este porto no Peru que os chineses estão construindo vai ser a obra de infraestrutura mais importante para a Amazônia, embora fora da Amazônia, isso vai mudar toda nossa relação interna e a nossa logística vai ser significativamente melhorada em função disso”, disse em entrevista à Rádio Onda Digital.
Pauta
O potencial uso do porto de Chancay será uma das pautas debatidas ao longo desse início do ano entre a Suframa e empresários locais. De acordo com Bosco Saraiva, está sendo organizado para o mês de fevereiro um debate sobre a infraestrutura da Amazônia. O evento deve contar com a participação de representantes do Ministério de Portos e Aeroportos e do Ministério dos Transportes.
A principal motivação para os debates é a seca extrema registrada no Amazonas no ano passado, que derrubou a produção industrial e deixou prejuízo de R$1,5 bilhão, conforme estimativa do Centro da Indústria do Amazonas (Cieam). A estimativa da Suframa, no entanto, de acordo com Bosco, deve ser avaliada em até 40 dias após o fim do ano, pois os técnicos aguardam o envio dos dados por todas as empresas localizadas na Zona Franca de Manaus.
“Como [a seca severa] foi uma situação inédita, nós anotamos todos os pontos aqui, nós elaboramos uma programação de um grande debate sobre a infraestrutura na Amazônia que nós vamos promover durante o mês de fevereiro com a volta do Congresso Nacional, importa, aqui em Manaus, no auditório da Suframa a participação de representantes de alguns ministérios como Portos e Aeroportos, Ministério dos Transportes, esses necessariamente terão de estar presentes”, enfatizou Bosco Saraiva.
A autarquia aguarda a organização do calendário do Congresso para realizar o evento que, para Saraiva, será uma oportunidade para dar respostas para muitos questionamentos, inclusive se a estiagem registrada no ano passado vai se repetir ou se há de fato uma tendência para que a seca se mantenha neste nível. Estarão em pauta ainda as estratégias para a dragagem dos rios da região e a construção de novos portos.