Rio Negro está mais de 4 metros abaixo da média dos últimos 10 anos
Publicado em 11 de de 2023 às 05:32 PM

Em meio à forte estiagem que atinge a bacia amazônica no ano de 2023, o rio Negro atingiu, nesta segunda-feira (11), a cota de 15 metros e 34 centímetros, em Manaus. A cota é 4 metros e 41 centímetros mais baixa do que a média dos últimos 10 anos, compreendida entre 2013 a 2022, de 19 metros e 75 centímetros.
Desde que passou pelo fenômeno do repiquete, entre os dias 8 e 16 de novembro, o rio subiu dois metros e 36 centímetros. Em 2010, ano da segunda maior seca no Amazonas, na mesma data, a marcação atingiu 17 metros e 55 centímetros, ou seja, na atualização mais recente, o rio está dois metros e 21 centímetros abaixo da cota daquele ano.
Já quando comparado à mesma data de 2022 (18,88m), o rio Negro está 3 metros e 54 centímetros mais seco.
Os dados utilizados para comparação foram retirados do registro histórico feito pelo Porto de Manaus, todos referentes ao dia 11 de dezembro de cada ano a seguir:
2013 – 21,47 m
2014 – 21,20 m
2015 – 17,26 m
2016 – 17,25 m
2017 – 19,39 m
2018 – 20,29 m
2019 – 21,34 m
2020 – 18,71 m
2021 – 21,87 m
2022 – 18,88 m
Subida após repiquete
De acordo com a medição do Porto de Manaus, o rio Negro tem apresentado subida na ordem de 13 cm, 16 cm e até 18 cm em 20 dias desde que voltou a encher após o período de repiquete, fenômeno temporário em que as águas interrompem um ciclo de cheia e voltam a ter leve seca.
A pesquisadora em geociências do Serviço Geológico do Brasil – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (SGB – CPRM), Jussara Cury, explicou que “grande parte das estações monitoradas está em processo de enchente, com exceção do Alto Rio Negro e Rio Branco (RR)”.
“As regiões do Solimões, Madeira e Purus apresentam resposta ao período chuvoso. As subidas de níveis dos rios ocorrem em decorrência das precipitações, que na maioria dos casos são consolidadas como início do chamado inverno amazônico nos meses de novembro e dezembro”, disse Cury. “Manaus recebe muita contribuição do rio Solimões, que também influencia o processo de subida da região metropolitana na parte jusante”, acrescentou.
Cury adianta que ainda é cedo para se falar em cheia recorde, como a ocorrida no ano de 2021 com a marca de 30 metros e dois centímetros.
“A bacia do Amazonas ainda está em processo de recuperação dos níveis e nossos modelos de previsão de cheia utilizam dados dos meses de março, abril e maio para apresentar um intervalo com cotas para cada ano, assim ainda é cedo para apresentar uma estimativa de grande cheia para 2024”, avaliou Cury.
Interdição
A Prefeitura de Manaus informou nesta segunda-feira (11) que a praia da Ponta Negra, localizada na zona Oeste da cidade, segue interditada, mesmo com a cota do rio Negro ter ultrapassado os 15 metros. “Decretada no dia 2 de outubro, em razão da extrema vazante que atinge o Estado, neste ano, a interdição tem validade de 90 dias e segue em vigor”, informou o comunicado.
(Foto: Márcio Silva/A CRÍTICA (02/10/2023))
Segundo a gestão municipal, apesar das 30 placas de sinalização de interdição e da barreira com cerquite, a comissão do complexo tem retirado das águas da praia pessoas que insistem em descumprir a medida. Os frequentadores seguem sendo orientados a não entrar na água. A retirada dos banhistas é feita com apoio da Guarda Municipal, com a equipe da base Oeste, no auxílio da orientação para a proibição de banho no balneário.
"Temos placas informativas, em destaque vermelho, espalhadas pela praia orientando sobre a proibição de uso para o banho, em diversos pontos da faixa de areia e nos acessos, e ainda tem a cerca. Mas, infelizmente, tem pessoas que insistem em não atender e se colocar em risco, inclusive com crianças. Pedimos, novamente, o apoio da população para respeitar a interdição até que a cheia do rio se normalize", explicou o coordenador da comissão, Alberto Maciel.
Segurança
A decisão de interditar a praia para o banho é uma medida de segurança e de prevenção contra afogamentos, ocorre devido à proximidade entre o fim do aterro perene e o leito natural do rio, que pode apresentar alterações no terreno, como buracos, desníveis e depressões. O lugar passou por um processo de aterramento que cobriu a praia natural com areia fina num trecho de 600 metros, indo em direção ao rio cerca de 80 metros.
A interdição considera as normas de uso da praia perene, definidas em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pela prefeitura junto ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), com órgãos municipais e estaduais signatários do compromisso, incluindo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBM-AM) e Polícia Militar do Amazonas (PM-AM).
De acordo com o TAC, a “interdição automática do uso da praia ocorrerá sempre que os laudos e/ou relatórios a que se referem os parágrafos anteriores comprovarem que a praia encontra-se imprópria para o uso dos banhistas”. A faixa de areia da praia da Ponta Negra está ampliada com a grande descida das águas e segue acessível para atividades esportivas e recreativas, assim como o funcionamento de todo o calçadão e demais estruturas do complexo.