Vacina contra a dengue
Publicado em 22 de de 2023 às 06:08 PM

Ontem, o Brasil se tornou o primeiro País do mundo a oferecer, gratuitamente, vacina contra o vírus da dengue em sistema público e universal de saúde. A inclusão do imunizante no Sistema Único de Saúde (SUS) de deve a um fato preocupante: o Brasil encerra 2023 com recorde de diagnósticos de dengue. Até novembro, foram 1,66 milhão de casos prováveis de dengue. No ano passado, o país contabilizou 1,52 milhão no total. Os dados do Ministério da Saúde mostram que, no período epidemiológico 2022/2023, houve 135 mil casos e 108 mortes. Infelizmente, a dengue está aí e precisa ser combatida.
O País convive com a dengue há muito tempo. Há registros das primeiras epidemias em território nacional datando de 1916. A doença causou repercussão nacional na década de 1980, quando houve epidemias em diversos países, com milhares de mortes. O monitoramento do Ministério da Saúde mostra que a doença também vem se agravando ao longo das décadas, com aumento no número de internações e óbitos. Para se ter uma ideia: em 1998, o índice de internações era de apenas 4 para cada 100 mil habitantes; na década de 2000, esse índice já havia crescido mais de mil por cento.
A recente pandemia de coronavírus lembrou ao mundo que todo o cuidado é pouco quando se trata de saúde pública, que o gigantesco e incontrolável trânsito de pessoas em todas as partes do planeta favorece a rápida disseminação de variações da mesma doença e, principalmente, que a busca por imunizantes eficazes deve ser permanente. Felizmente, já existem vacinas com eficácia comprovada contra a dengue em suas diversas variações. É isso que o Ministério da Saúde está integrando ao seu calendário vacinal.
A notícia, muito celebrada nos círculos médicos, foi praticamente ignorada pela maioria da população. Um dos possíveis motivos é a recente resistência a imunizantes causada por razões religiosas, ideológicas ou de pura ignorância. Cabe ao Ministério da Saúde promover adequadamente campanhas de vacinação para estimular a população a participar. Manaus está entre as capitais de risco devido às condições naturais que são adequadas à proliferação do mosquito vetor da doença. Espera-se que, com vacinação em massa, logo a dengue deixe de ser uma preocupação sanitária de relevo e se torne apenas uma “febrezinha”.